2 de out. de 2013

CASAS DE SWING

Swing ou troca de casais, é um relacionamento sexual entre dois casais estáveis que praticam sexo grupal como uma atividade recreativa ou social. Existem correntes que consideram o swing quando um casal adiciona um ou mais elementos numa relação sexual.

Eles são jovens, bonitos e apaixonados. A estudante de nutrição Renata Pereira, 21 anos, e o promotor de eventos Davis Luiz, 30, namoram há dois anos e há seis meses dividem o mesmo teto. São como qualquer outro casal: saem com amigos, às vezes brigam e conversam até se entenderem. Mas têm um hobby que muita gente acha esquisito: frequentar casas de swing. Davis está convencido de que o troca-troca de casais ajuda a evitar a infidelidade. "A maioria dos homens trai por necessidade de transar com outras", diz ele. "Isso não acontece comigo porque tudo o que eu quero fazer, faço, e na companhia da Renata." A namorada concorda: "Experimentamos o sexo com outras pessoas juntos, então não é traição. Por outro lado, o swing só ajuda nossa vida sexual a melhorar".

Davis e Renata representam um novo público das casas de swing: o de casais com menos de 30 anos. Um estudo realizado ao longo de 2007 pelo Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro comprovou que 36% dos clientes dessas casas animadíssimas enquadram-se nessa faixa etária.


Dono da boate erótica 2 a 2, do Rio de Janeiro, o empresário Marcos Entrenós (sim, esse é o nome artístico dele) confirma: "Até 2000, dificilmente se via jovens dessa idade por aqui". E por que as coisas mudaram? Em parte, porque esses endereços trocaram de nome e de proposta. Hoje, são conhecidos como "baladas liberais" e incentivam a visita de gente que não topa sexo com estranhos. Como funcionam também como boates normais, eles agora recebem quem só quer dançar - e, de quebra, matar a curiosidade de ver como a coisa toda funciona.



Se os redutos do swing mudaram, o comportamento do público também mudou. Segundo os especialistas, os jovens de 20 a 30 anos de hoje diferenciam-se dos do passado por supervalorizarem o prazer. O psicólogo especialista em sexualidade Paulo Tessarioli explica: "Essa geração cresceu numa época em que é normal 'ficar', sem culpa, e às vezes com mais de uma pessoa por noite. Muitas vezes, a situação pode se transformar facilmente em uma experiência de swing. E sem drama, porque a lógica que impera é a do prazer. Vale tudo em nome dele".

Prazer coletivo sim, mas com todo o respeito! Explicando: para manterem-se como um ambiente "família", as baladas liberais exigem que seus frequentadores cheguem como casal, e só valem as parcerias heterossexuais (mas os pares homossexuais femininos muitas vezes são tolerados). Um dos objetivos dessa tentativa de organizar a coisa é, entre outros, evitar a frequência de garotas de programa. Mas não é raro vê-las por lá. Dentro das casas, o mais comum é que um par convide uma segunda parceira para o sexo a três. Geralmente, reza a etiqueta da prática, a abordagem é feita de mulher para mulher. Elas fazem a proposta, sem a participação do homem. Como muitos caras gostam de observar a companheira transando com outro casal, o entendimento entre as duplas fica fácil.

"Na primeira de minhas três visitas a casas de swing (duas ao Vogue Club e uma à Nefertiti, ambas de São Paulo), todas as ideias que tinha sobre esse mundo caíram por terra. As pessoas não andam peladas e não agarram você - a não ser que você queira e permita. Há uma parte que funciona como balada, com pista e bar, e outra, nos fundos do ambiente, onde o sexo corre solto. Nessa área, as transas acontecem em camas coletivas ou em pequenas cabines, que possuem buracos nas paredes para quem estiver do lado de fora pôr a mão. Algo no estilo mão na coisa, coisa na mão.Estar avisado de que coisas entram e saem dos buracos é importante - o risco é levar um pênis no olho ao tentar espiar por um deles. Minha colega levou um beliscão no bumbum ao aproximar-se de uma cama onde rolava uma transa com aproximadamente oito casais (fazer as contas no meio da confusão é difícil!). Se sua intenção for só espiar, mantenha uma distância segura do objeto de observação."